A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém vetada a fabricação e a venda de sachês de nicotina no Brasil por falta de comprovação de segurança e pelo potencial de danos à saúde pública.
O que são os sachês
Conhecidos como “nicotine pouches”, snus ou bolsas orais de nicotina, esses pequenos invólucros lembram saquinhos de chá e trazem nicotina combinada a fibras vegetais, aromatizantes e adoçantes. A nicotina é absorvida pela mucosa da boca, sem passar pelos pulmões.
Como funcionam
O usuário posiciona o sachê entre o lábio e a gengiva. O contato com a saliva libera a substância diretamente na corrente sanguínea. As concentrações variam de 1,5 mg a 150 mg por unidade, podendo conter nicotina sintética mais potente, como a 6-metil nicotina.
Principais riscos apontados por especialistas
Dependência e toxicidade: o pH alcalino de alguns produtos acelera a absorção, aumentando a possibilidade de vício. Sintomas de toxicidade incluem náusea, tontura e irritação na garganta.
Doenças cardiovasculares: a nicotina estimula o sistema nervoso simpático, elevando pressão arterial, frequência cardíaca e sobrecarga do coração, o que pode levar a infarto, arritmias e AVC.
Saúde bucal: o atrito constante com gengiva e lábios pode causar lesões, inflamação e doença periodontal.
Desenvolvimento cerebral em jovens: o uso na adolescência pode comprometer regiões ligadas à atenção, memória e controle de impulsos, favorecendo dependência futura e maior risco de ansiedade e depressão.
Imagem: Internet
Gravidez: a substância é tóxica para o feto, elevando a ocorrência de natimortalidade e síndrome da morte súbita do lactente.
Câncer: há suspeita de que a exposição prolongada a nitrosaminas e metais pesados presentes em algumas amostras eleve o risco oncológico, embora faltem estudos conclusivos.
Eficácia para parar de fumar não é comprovada
Pesquisas disponíveis não demonstram vantagem consistente dos sachês de nicotina na cessação do tabagismo. Especialistas recomendam terapias já validadas, como medicamentos específicos, programas de desintoxicação e apoio psicológico.
Sem evidências robustas de segurança ou benefício terapêutico, a restrição da Anvisa segue sem previsão de revisão.
Com informações de Tua Saúde

