Falta de sangue no intestino pode levar à necrose: entenda a isquemia mesentérica

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A isquemia mesentérica é uma condição em que o fluxo sanguíneo destinado aos intestinos diminui ou é interrompido, provocando lesões nos tecidos e, em situações graves, necrose intestinal. O problema pode ser agudo, com evolução rápida, ou crônico, quando os sintomas surgem de forma gradativa.

Sinais de alerta

Entre os principais sintomas estão:

  • dor abdominal intensa e repentina, muitas vezes desproporcional ao exame físico;
  • dor abdominal após as refeições;
  • náuseas, vômitos e distensão abdominal;
  • diarreia ou evacuações frequentes, às vezes com sangue;
  • perda de peso sem causa aparente e redução do apetite;
  • febre e sensibilidade abdominal podem aparecer em casos complicados.

Como é feito o diagnóstico

Gastroenterologistas ou cirurgiões vasculares analisam histórico clínico, queixas do paciente e exame físico. Para confirmar o quadro e localizar o bloqueio, os profissionais recorrem a exames de imagem, como angiotomografia computadorizada, ultrassonografia Doppler ou angiorressonância magnética. Testes de sangue — lactato, dímero-D e proteína de ligação a ácidos graxos intestinais — auxiliam na detecção de inflamação, infecção ou dano intestinal.

Principais causas

As quatro origens mais frequentes são:

  • embolia arterial, quando um coágulo fecha repentinamente a artéria que irriga o intestino;
  • aterosclerose, acúmulo gradual de placas de gordura nas artérias mesentéricas;
  • trombose venosa mesentérica, formação de coágulos nas veias intestinais;
  • isquemia não oclusiva, redução do calibre dos vasos sem obstrução por coágulos ou placas.

Cirurgias na aorta, revascularização do miocárdio, vasculites e dissecção de aorta também aumentam o risco da doença.

Opções de tratamento

O objetivo é restabelecer rapidamente o fluxo sanguíneo e evitar complicações:

  1. Suporte inicial: internação, hidratação venosa, controle da dor, jejum e monitorização constante.
  2. Medicamentos: anticoagulantes (heparina, varfarina, rivaroxabana, apixabana) previnem novos coágulos; trombolíticos, como alteplase, podem dissolver obstruções já formadas.
  3. Tratamento endovascular: técnicas minimamente invasivas, como angioplastia com stent, desobstruem o vaso afetado.
  4. Cirurgia convencional: indicada quando o procedimento endovascular falha ou o quadro é grave; pode incluir retirada de coágulos, bypass ou reparo vascular.
  5. Ressecção intestinal: remoção da parte do intestino necrosada, necessária quando o tecido está inviável.

Prevenção e controle de risco

Para evitar novos episódios, especialistas recomendam parar de fumar, manter pressão arterial, colesterol e glicemia sob controle, além de praticar atividade física regular. Em pacientes com fibrilação atrial, o uso contínuo de anticoagulantes é fundamental.

Existe cura?

Quando diagnosticada precocemente e tratada sem demora, a isquemia mesentérica pode ser resolvida com recuperação completa do intestino. Casos identificados tardiamente, sobretudo com necrose instalada, exigem intervenções mais complexas e nem sempre permitem restituição total da função intestinal.

Com informações de Tua Saúde

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