Transplantes: indicações, modalidades cirúrgicas e como é a recuperação

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Transplante é o procedimento cirúrgico que substitui um órgão, tecido ou células comprometidos por material biológico proveniente de um doador vivo ou falecido. No Brasil, a técnica é aplicada principalmente em coração, fígado, pulmão, rim, córnea e medula óssea, quando tratamentos convencionais deixam de surtir efeito e a falência do órgão ameaça a vida do paciente.

Quando o transplante é recomendado

A indicação ocorre em situações de doença grave e irreversível, malformações (como ausência de útero), perda de visão por lesões na córnea ou preservação da fertilidade em mulheres que enfrentarão terapias oncológicas. No caso da medula óssea, a cirurgia é comum em leucemia, linfoma, mieloma múltiplo e anemias graves.

Principais tipos de transplante

Medula óssea – Pode ser autólogo (células do próprio paciente) ou alogênico (doador compatível).
Coração – Necessário em cardiopatias avançadas com risco de falência cardíaca.
Fígado – Realizado em cirrose ou hepatites crônicas; pode envolver o órgão inteiro de doador falecido ou parte dele de doador vivo.
Rim – Indicado em doença renal crônica avançada; utiliza rim de doador vivo ou falecido.
Pulmão – Opção para fibrose pulmonar, DPOC, hipertensão pulmonar ou fibrose cística.
Útero – Destinado a mulheres de 20 a 40 anos sem útero funcional que desejam engravidar.
Fezes – Transfere microbiota saudável para restaurar o equilíbrio intestinal.
Ovário – Tecidos são retirados antes de quimio ou radioterapia, congelados e reimplantados depois.
Córnea – Substitui tecido lesado por córnea de doador falecido em casos como ceratocone ou queimaduras.
Pâncreas – Voltado ao diabetes tipo 1 com controle glicêmico impossível por insulina.
Multivisceral – Troca simultânea de vários órgãos abdominais quando há falência múltipla.

Órgãos e tecidos que podem ser doados

De doadores falecidos: coração (e suas válvulas), pulmões, córneas, pâncreas, fígado, intestino, útero, ossos, músculos e pele. De doadores vivos: parte do fígado, parte do pulmão, rim, útero e medula óssea.

Modalidades de transplante

Autólogo – material do próprio paciente.
Alogênico – doador geneticamente semelhante.
Singênico – doador é gêmeo idêntico.
Heterólogo – doador não aparentado.
Xenogênico – órgão de animal para humano (uso raro).

Compatibilidade e exames pré-operatórios

Antes da cirurgia, exames de sangue verificam compatibilidade para reduzir rejeição. O doador também é testado para HIV, hepatites B e C, HTLV, sífilis, doença de Chagas, citomegalovírus e toxoplasmose. Resultado positivo impede a doação.

Lista de espera e priorização

O médico inscreve o paciente na lista única do Ministério da Saúde. A ordem segue data de cadastro, gravidade clínica, compatibilidade e localização. Crianças e adultos em condição crítica têm prioridade. Depois da retirada, cada órgão tem tempo máximo fora do corpo: coração (4 h), pulmão (6 h), fígado e pâncreas (12 h) e rim (48 h).

Recuperação

A primeira etapa ocorre no hospital durante algumas semanas, com monitoramento constante. Após alta, o paciente precisa de consultas regulares e uso diário de imunossupressores para evitar rejeição.

Riscos e efeitos colaterais

As complicações mais frequentes incluem rejeição, infecções, problemas renais, sangramentos, gota e aterosclerose. Imunossupressores podem provocar ganho de peso, diabetes, osteoporose, alterações cutâneas e maior risco de linfoma ou câncer de pele. Reações adversas à anestesia geral — como náusea, queda de pressão ou febre — são incomuns, mas possíveis.

O transplante segue protocolos rigorosos para minimizar riscos e ampliar a sobrevida, tornando-se recurso vital quando terapias convencionais já não bastam.

Com informações de Tua Saúde

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